quarta-feira, 11 de novembro de 2009

um conto sobre uma noite e uma receita

escrevo à luz de uma única vela. forte, ainda que velha.
nessas horas de escuridão as perguntas borbulham. caldeirão de incertezas amargas.
o silêncio. uns cães assustados ali. cada qual assustado com sua sombra, vultos que riem como hienas, como tem que ser, não?
é esta a noite deste dia cansado.

das perguntas, farei um ensopado mal-temperado. nariz bem tampado ao degustar e nem me lembrarei das sensações doídas, muito doídas, que todos sabem como são.

um brinde à amnésia!
(será possível?)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

ó! liberta-me, tu, dos sentimentos pequenos
da criança empalhada em orgulho que vez e outra insiste em romper seu tempo
não quero rompimento de espécie alguma
(a não ser aquele versus inércia)
ó.

...
quero a busca da afinação perfeita
ainda que inalcançável
ainda que, quanto mais perto do uníssono, mais desafinado soe

quero
a verdadeira
dissonância
magistral.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

pra ir pro centro é por aqui mesmo?
sim, sim.
ah, tá. é que sempre confundo o destino... se é pra lá ou pra cá!
uhum...







... [entendo]

domingo, 25 de outubro de 2009

a cegueira e o parto

um pouco mais tarde, cantei - umas notas meio tortas aqui e ali, mas cantei.
em coro. em coro e coragem. umas músicas lindas de morrer! cantei de olhos fechados.
as lágrimas re-encarnaram. acredita em coisa assim? foi como sorriso que voltaram a mim.
parto normal, como tinha que ser.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

a cegueira e o parto

só sabia que era dia pelos números no relógio. a luz mesmo, estava literalmente nublada. depois de uns oitenta e poucos olhares cruzados e desinteressadamente des-cruzados, a tal da providência divina me fez dar de cara com o mosteiro de são bento. aquele lá, que se diz(em) bonito por fora, mas por dentro, vem a preguiça, ou outra fuga parecida com ela, e cega a surpresa.
pois dessa vez ela não venceu, não. me aproximei fazendo o sinal da cruz - já quase nem lembrando qual o lado do santo ou do espírito. entrei cega, meio sem coragem. andei mais um pouco e deixei a luz entrar aqui. como é lindo lá dentro...! sem pieguisse alguma, é realmente lindo lá dentro, viu? aqui, nem sempre.
bom, sei que me sentei logo e me diverti flertando os vitrais. alguns minutos e já queria ficar cega de novo. cansa rápido, ? repousei as mãos nos poros de pele-branca de quem vive em são paulo - sujos - e a cabeça pendeu.
todas as lágrimas do mundo, leves, pesadas, solitárias, em bandos, todas elas nasceram.
parto normal, como tinha que ser.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

já sem ter o que hidratasse aquelas duas - cordas-juntas, incrível, o que fazem -, ainda assim convocou as forças que tinha em reunião de bastidores e ordenou que soasse o uníssono. e soou:

ó, grandioso sol
louvo-te em paz de alma
suspiro de calma
por ver-te assim
amarelo-canário
arco-íris
cenário
sorriso
enfim

uma pausa breve. joelhos dobrados e um copo d'água.

sábado, 10 de outubro de 2009

até aqui, não foi tão mal. o bom-começo começou bem, sim.
que bom. qual o próximo passo?
não sei se consegue.
quero.
ótimo.

































é não ter próximo passo.

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